A trajetória política de Rildo Amaral revela que, na política, romper alianças pode ser uma estratégia. Mas toda estratégia produz consequências.
Por: Vilson Ferreira
A política é um jogo de construção de confiança. Alianças não surgem por acaso, nem se sustentam apenas por conveniência. Elas são construídas por articulação, reciprocidade e interesses comuns. Quando um desses pilares é rompido, o tabuleiro inevitavelmente se reorganiza.
Foi exatamente isso que aconteceu em Imperatriz. Rildo Amaral chegou à Prefeitura tendo recebido o apoio do governador Carlos Brandão, do deputado Antônio Pereira e da estrutura política do Palácio dos Leões. Após assumir uma cidade marcada por graves problemas administrativos, encontrou no Governo do Estado um parceiro importante para acelerar investimentos em infraestrutura, saúde e outras áreas prioritárias.
Mas existe um detalhe que muitas vezes passa despercebido. A primeira ponte foi construída por Sebastião Madeira. Muito antes de qualquer movimento, foi o então chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, quem trabalhou para aproximar Rildo Amaral do governador Carlos Brandão. Madeira utilizou seu prestígio político em Imperatriz para construir essa relação, contando também com o apoio do deputado estadual Antônio Pereira, peça importante na consolidação da aliança.
Sob a ótica do jogo político, é possível interpretar que o primeiro grande rompimento de Rildo, não ocorreu com Brandão, mas com aqueles que abriram as portas dessa aliança: Madeira e Antônio Pereira. Essa é uma leitura política, naturalmente sujeita a interpretações diferentes.
Depois vieram outros movimentos.
Primeiro, o rompimento político com a vice-prefeita, esposa de Antônio Pereira. Em seguida, a mudança de posição em relação ao projeto político de Orleans Brandão. O que chamou atenção foi a rapidez dessa mudança: poucas semanas antes, Rildo reafirmava apoio ao candidato governista; pouco depois, declarou apoio a Eduardo Braide.
A resposta veio rapidamente. O Partido Verde não homologou a candidatura de Flamarion Amaral, irmão do prefeito, para deputado estadual. Flamarion classificou o episódio como perseguição política. Essa é uma versão possível.
Outra leitura é que o grupo governista apenas respondeu a um rompimento político, reorganizando seus espaços internos. Em política, quem deixa um grupo normalmente perde a influência que possuía dentro dele.
Isso não significa que Rildo ou Brandão estejam certos. Significa que toda escolha política produz efeitos políticos.
Agora começa o verdadeiro teste.
Ao apoiar Eduardo Braide, Rildo fez uma aposta de alto risco e alto potencial de retorno.
Se Braide vencer, Rildo poderá ser visto como um dos prefeitos que anteciparam corretamente o novo cenário estadual. Se Orleans Brandão vencer, o prefeito terá que reconstruir pontes que hoje parecem rompidas.
Essa é a natureza do jogo do poder.
Na política, não basta fazer movimentos ousados. É preciso calcular as respostas que eles provocarão. Porque, no fim das contas, o tabuleiro sempre responde.
No jogo do poder, alianças podem mudar, mas as consequências, nunca deixam de chegar.



